Just Push Stop...

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O Aerosmith é sem dúvida uma banda singular. Em geral uma banda com vinte, trinta anos de carreira só se mantém na ativa, por mais discos ruins que lance, pois sempre vai existir um fã apaziguador para dizer: o bom mesmo era o primeiro disco dos caras, ou que na turnê de 70 e picos a banda realmente detonou. Mas com o Aerosmith não. Ninguém liga a mínima para os primeiros discos da banda. E, mesmo aqueles que tiveram a coragem de ouvir esses álbuns, sabem que, em seus melhores momentos, a banda conseguia no máximo soar como um pastiche mal enjambrado dos Rolling Stones ou Led Zeppelin. Indicado, talvez, somente para pessoas poucos exigentes. Se hoje eles são pouco mais que uma banda de pop rock absolutamente repulsiva, isso não o que se pode chamar de evolução.

Mas de algum jeito a banda conseguiu se manter na ativa. Levando nos anos 90 o conceito de chatice ao extremo, com sua persistência infinita, amparada pela subserviência da MTV e a natural estupidez do público médio americano. Tanto que a banda tem hoje mais sucesso do que tinha nos anos 70. Isso até pode ser digno de algum respeito. Mas não necessariamente justifica a música. E certamente não justifica Just Push Play. O novo álbum do Aerosmith, com produção da dupla de junkies mais bunda-mole da história( Stevie Tyler e Joe Perry), segue o padrão de qualidade(?) os últimos trabalhos da banda. Ou seja: é mais do mesmo com igual incompetência. Desde Pump(89) todos álbuns do Aerosmith se parecem: alguns rocks com data de validade vencida e várias baladas padrão rádio FM, e isso não é um elogio. O primeiro single e vídeo "Jaded", já é sucesso nas piores rádios do gênero.

Em Just Push Play o Aerosmith parece, novamente, tatear no escuro a procura do tempo perdido tentando atualizar o seu som. Notem que o último álbum de estúdio da banda tem apenas pouco mais de três anos. Sabe como é: o tempo deve passar rápido quando já se chegou na terceira-idade. Neste álbum eles incluem até mesmo bases de hip-hop, na faixa título, para soar de alguma forma mais modernos(!). O que, pensando bem, não deixa de ser intrigante. O Aerosmith, nunca, em momento algum de sua longa carreira poderia ser considerado uma banda moderna. Por que essa pretensão agora? Seriam efeitos das drogas pesadas que eles andam tomando hoje em dia? Não estamos falando, exatamente, da "farmacinha" caseira de todo roqueiro, vocês sabem Tyler e Perry estão sóbrios agora. Mas sim de remédio para artrite e esclerose, essas coisas...

O que nos leva a outra questão de extrema relevância: será que o vocalista Stevie Tyler não tem se visto no espelho freqüentemente? Quer dizer, não é porque alguém parou de usar cocaína que essa pessoa deve abandonar totalmente esses simpáticos utensílios domésticos. Pois, você sabe, eles tem uma real utilidade, além de servir de superfície plana para bater algumas carreiras. Mostram o quão velho e ridículo você está, e que possivelmente seria preciso abrir uma concorrência com várias empreiteiras para fazer a restauração no seu rosto...

Depois de uma olhadela no seu reflexo talvez Tyler pudesse entender o porquê "moderno" e Aerosmith não deveriam ser usados na mesma sentença.

Saulo Gomes

P.S.: E pensar que tanta gente boa já morreu de overdose e ninguém teve a decência de preparar uma para o Steve Tyler...