Oscar 2017: quem sabe faz ao vivo

Quem sabe faz ao vivo, já dizia um filósofo da pós-modernidade. Bem, se ele está certo, é melhor o Oscar desistir. A cerimônia de 2017 foi marcada pelo maior erro da história da premiação. Na hora de entregar a estatueta de melhor filme, Warren Beatty e Faye Dunaway disseram que vencedor era 'La La Land'. Mas era uma pegadinha do Mallandro! Quem realmente venceu foi Moonlight. Com isso, a Academa mostra que está atendendo o apelo das minorias. Isso até o pessoal de Hollywood descobrir que as minorias não vão ao cinema (mas isso é assunto para outro texto).

Confira o comentário da ZeroZen para os indicados ao melhor filme.

La La Land – Cantando Estações

La La Land? Mas o que é isso? Um musical da Lady Gaga? Um documentário sobre doce de leite (afinal de contas, trata-se de um mu-mu musical?). Enfim, é um filme ingênuo e boçal. O pianista Sebastian conhece a atriz iniciante Mia. Ambos se apaixonam. Ambos saem cantando e dançando sem qualquer motivo aparente. Para quem entende um pouco de cinema (não é o caso da geração Netflix) a indicação de La La Land a melhor filme já é uma ofensa.

Moonlight

Foi a primeira obra cinematográfica com temática LGBT a ganhar o Oscar de melhor filme. Uma vitória obtida na gafe do milênio. Bem, o fato é que o destaque fica por conta do bandido interpretado por Mahershala Ali. Ele é o traficante mais meigo e fofo da história do cinema. Está sempre de boas. Um sujeito normal, antenado com as novas tendências, legítimo representante do politicamente correto, um empresário de sucesso que vende o seu principal produto (pedras de crack) para quem estiver disposto a pagar. O personagem é simplesmente absurdo em sua tentativa de parecer uma figura paternal para um jovem negro e homossexual que cresce num gueto de Miami. Na verdade, o espectador passa boa parte de Moonlight imaginando como alguém com essa personalidade poderia comandar o crime nas ruas. OBS: A quem interessar possa: Caetano Veloso está presente na trilha sonora com Cucurrucucu Paloma do álbum "Fina Estampa".

Manchester à Beira Mar

Esse é um filme chato. Mas aqui é preciso uma ressalva. É um filme que eleva a chatice a uma forma de arte. Modorrento até o limite do insuportável, acabou rendendo o oscar de melhor ator para o assediador de mulheres, Casey Affleck. Lee Chandler, uma espécie de faz tudo, é forçado a retornar para sua cidade natal (chata) com o objetivo de tomar conta de seu sobrinho adolescente (chato) após o pai do rapaz, seu irmão (muito chato), falecer precocemente. Este retorno ficará ainda mais complicado quando Lee precisar enfrentar as razões que o fizeram ir embora e deixar sua família. Cada diálogo, cada cena foi feita para chatear o espectador. Se um meteoro atingir a terra, por favor, acerte Manchester à Beira Mar primeiro.

Até o Último Homem

A volta por cima (ou não) de Mel Gibson. O filme se divide em dois momentos. No primeiro momento, um adventista do sétimo dia, Desmond T. Doss, resolve entrar para o exército. Quer virar médico e salvar vidas. Até aí, tudo bem. Mas sua religião o impede de segurar uma arma. Então, não pode ser aprovado, pois não completa o treinamento necessário. Há uma situação complexa que é resolvida de maneira ridiculamente simples. Mas Segunda Guerra Mundial, durante a Batalha de Okinawa, se destaca por salvar a vida de mais de 75 homens. Ele termina sendo condecorado (olha o spoiler), fazendo de Doss o primeiro Opositor Consciente da história norte-americana a receber a Medalha de Honra do Congresso. Justamente na hora da Guerra, Mel Gibson entra em cena. As cenas de combate são um verdadeiro massacre. Agora... A pergunta que não quer calar é: quem pediu para trazer o Mel Gibson de volta?

A Chegada

A ficção científica estrelada por Amy Adams foi solenemente ignorada pela academia (quem mandou participar de Animais Noturnos?). Naves alienígenas chegaram às principais cidades do mundo. Com a intenção de se comunicar com os visitantes, uma linguista é chamada para decifrar as estranhas mensagens dos visitantes. Sim, isso mesmo. A heroína do filme é uma linguista. Ou seja, é filme da vida da sua professora de português ou daqueles sujeitos estranhos que estudam semiótica. O resto da humanidade pode passar batido. Sim, existe uma reviravolta no final da trama, mas poucas pessoas vão ficar acordadas para ver.

Lion: Uma Jornada Para Casa

Uma história tão absurda que só pode mesmo ser baseada em um fato real. Um menino indiano entra por engano em um trem que atravessa o país. Ele desce em Calcutá, onde o idioma principal é o Benghali. O rapaz, infelizmente, só fala indi. Para ficar mais claro. É como um garoto saísse do Rio Grande do Sul e terminasse no Ceará. Apesar de estar no mesmo país, gauchês e cearês são dois idiomas completamente diferentes. O menino acaba adotado por uma família australiana. Mesmo vivendo em um lar amoroso ele parece incapaz de superar o que aconteceu. Então 25 anos depois ele decide tentar reencontrar sua família biológica. O começo é interessante e empolgante, mas depois vai tudo ladeira abaixo (é provável que colorados se identifiquem com o filme).

Um Limite entre Nós

É teatro filmado. Ou seja, gente falando sem parar, dando palpites sobre todo e qualquer assunto. É o equivalente cinematográfico da reunião de Natal da sua família. O único limite que o filme atinge é a paciência do espectador. Basicamente um jogador de beisebol aposentado, que sonhava em se tornar uma grande estrela do esporte durante sua infância, agora trabalha como coletor de lixo para sobreviver. Já que não deu certo, ele decide espalhar sua miséria contra quem estiver por perto (que, basicamente, é o objetivo de vida da ZeroZen). Viola Davis fez o papel da esposa. Levou o Oscar de atriz coadjuvante. Já aproveitou para fazer propaganda do seu próximo seriado: How To Get Away With an Oscar.

Estrelas Além do Tempo

Um filme correto. Tem início, meio e fim. Também tem cara de sessão da tarde: matemáticas vão aprontar altas confusões na Nasa. Não há motivos para estar na seleção do Oscar. A não ser se a ideia foi mostrar para a geração Netflix o que é um filme com início, meio e fim.

A Qualquer Custo

Um faroeste diferente. Dois irmãos, um ex-presidiário e um pai divorciado, estão prestes a perder a fazenda da família em West Texas e decidem assaltar um banco como uma chance de se restabelecerem financeiramente. Porém, cruzam com um delegado que tudo fará para capturá-los. A premissa até poderia resultar em um bom filme. Porém, o roteiro tem problemas sérios. Basta pensar um pouco para ver que as ações tomadas pelos protagonistas não fazem o menor sentido. É um filme ruminante. A gente mastiga, mastiga, mas não consegue engolir.

Menção honrosa: Capitão Fantástico/p> Não foi indicado a melhor filme, mas vale dizer: é o filme mais esquerdista dos últimos tempos. Seria o preferido dos militantes do PSTU (isso se eles tivessem dinheiro para ir ao cinema).

Da Reportagem Local, ou não