O Guerreiro Genghis Khan

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Poucas coisas são capazes de surprender a redação da ZeroZen. Mas quando foram entregues convites para assistir ao filme O Guerreiro Genghis Khan (Mongol) não deu para negar que houve um momento de pura apoplexia. A ZeroZen entrando no cinema de graça é mesmo algo raro.

O Guerreiro Genghis Khan é uma espécie de épico com sérios problemas orçamentários. Não há grandes batalhas, o foco fica no começo da trajetória do bárbaro. Aliás, o interessante é que em momento algum o filme fala em Genghis Khan. O roteiro se concentra em contar apenas uma pequena parte de um dos mais temidos conquistadores da história da humanidade.

A trama começa em 1172. O pequeno Temudjin (Tadanobu Asano), de apenas 9 anos, atravessa as estepes ao lado de seu pai, o líder tribal Esugei (Ba Sen). A missão da dupla é muito importante: casar o garoto com uma mulher do clã dos merkits. Notem que na época não existia orkut ou facebook, por isso era assim que as pessoas se conheciam...

De qualquer maneira, Esugei - anos antes - aproveitou para sequestrar a mulher de um guerreiro merkit. Claro que tal atitude não ajudou a trazer paz e tranquilidade entre as duas tribos. Para resolver de vez a questão, Temudjin deve casar com uma merkit. Com isso, não haveria mais conflitos entre os clãs.

Infelizmente, diplomacia nunca foi o forte do povo mongol. Ao pararem em uma tribo amistosa, Temudjin conhece Börte (Khulan Chuluun), uma garota de 10 anos por quem ele se apaixona. É o que basta para o pequeno aprendiz de chefe mandar todos os planos de seu pai por água abaixo.

Temudjin escolhe Börte para ser sua futura esposa, Mas isso só pode acontecer em cinco anos. Até mesmo na Mongólia pedofilia tem limites. Na viagem de volta, Esugei é envenenado e morre nos braços do filho. Pela tradição, Temudjin - mesmo com 10 anos - deve assumir seu lugar.

O problema é Esugei não era um líder tão querido pela comunidade. Com a sua morte, o guerreiro Targutai (Amadu Mamadakov) assume a vaga sem maiores contestações. E só não termina de vez com Temudjin por dois motivos: 1) se ele fizesse isso o filme acabava em 15 minutos e 2) o povo mongol não mata crianças.

Targutai, porém, garante que vai assassinar Temudjin assim que ele alcançar a maioridade. O garoto torna-se fugitivo. Errando pelas estepes nevadas, é ajudado por outro menino, Jamukha (Amarbold Tuyshinbayar). Eles se tornam irmãos de sangue. Depois de um tempo separados, ambos vão se encontrar novamente. Só que Temudgin (Tadanobu Asano) e Jamukha (Honglei Sun) por uma série de eventos se tornarão rivais.

Diga-se de passagem, no futuro, essa amizade vai terminar muito mal. Mas deve ser assunto para o O Guerreiro Genghis Khan parte 2. Aliás, esse é o principal problema do filme. A trama se desenrola por duas horas e os momentos mais importantes da vida do conquistador são solenemente ignorados. É preciso ter em mente que Genghis era uma espécie de Conan da vida real.

Os fãs de Genghis Khan (?) não estão preocupado em compreender ou respeitar fatos históricos. O negócio é ver sangue e tripas em batalhas épicas. Inclusive, faltou mostrar a conquista de Pequim, por exemplo. Vale notar que no auge o império de Guerreiro Genghis Khan se estendeu da Mongólia até praticamente as portas da cidade de Viena!

O curioso é que o diretor Sergei Bodrov quer o tempo todo humanizar a figura de Genghis Khan. Apesar de ser um sanguinário que mandava chacinar cidades e destruir países, ele parece no filme ser um sujeito gente boa, na paz, um dedicado pai de família, enfim, ele foi só um pouco incompreendido pelo mundo. Por isso, para não perder a oportunidade da piada pronta: apesar de tentar contar a história do Guerreiro Genghis Khan, o filme dirigido por Sergei Bodrov não é bárbaro...

Jota Tavares

(Mongol, RUS, 2007), Direção: Sergei Bodrov, Elenco: Tadanobu Asano, Honglei Sun, Khulan Chuluun, Aliya, Ba Sen, Amadu Mamadakov, He Qi, Ben Hon Sun, Ji Ri Mu Tu, Bao Di, Odynam Odsuren, Bayertsetseg Erdenebat, Amarbold Tuvshinbayar, Duração: 126 min.

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