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Síndrome do impostor: estratégias práticas para acolher e ressignificar suas inseguranças profissionais

Síndrome do impostor: estratégias práticas para acolher e ressignificar suas inseguranças profissionais

Síndrome do impostor: estratégias práticas para acolher e ressignificar suas inseguranças profissionais

Você já passou por isso? Um elogio no trabalho chega e, em vez de sentir orgulho, bate aquele pensamento automático: “Se eles soubessem a verdade… foi sorte”. Ou você é chamada para um projeto importante e a primeira reação é pânico: “Vão descobrir que eu não sou tão boa assim”.

Essa voz interna que insiste em dizer que você não é suficiente tem nome: síndrome do impostor. E, ao contrário do que parece, não é sinal de fraqueza ou falta de competência. Muitas vezes é justamente o oposto: aparece em pessoas responsáveis, dedicadas, perfeccionistas e cheias de potencial.

Neste texto, a ideia não é “curar” você da síndrome do impostor de um dia para o outro. O foco é outro: entender o que está por trás dessa sensação, acolher essas inseguranças e aprender a ressignificá-las com estratégias práticas, aplicáveis na vida real de quem trabalha, estuda, cuida de casa, pega trânsito e lida com boletos.

O que é, na prática, a síndrome do impostor?

A síndrome do impostor é aquele padrão de pensamento em que, mesmo com evidências de competência (um bom emprego, resultados positivos, feedbacks elogiosos), a pessoa sente que não merece estar onde está. Em vez de reconhecer esforço, estudo e experiência, ela atribui tudo a:

O medo de “ser desmascarada” como uma fraude gera ansiedade constante, autocrítica intensa e, muitas vezes, exaustão. No trabalho, isso pode aparecer de várias formas:

O detalhe importante: sentir-se impostora não significa ser impostora. Significa que existe um conflito entre os fatos (o que você faz, entrega, realiza) e a história interna que você conta sobre si mesma.

Por que isso pega tão forte, especialmente na vida profissional?

O trabalho ainda é, para muitas de nós, o principal lugar de validação externa: cargo, salário, diploma, reconhecimento. Quando misturamos “quem eu sou” com “o que eu faço”, qualquer crítica, erro ou insegurança parece um ataque à nossa identidade inteira.

Alguns fatores que alimentam a síndrome do impostor no contexto profissional:

Quando tudo isso se mistura, não é surpresa que a gente comece a duvidar da própria trajetória. Mas duvidar não significa que ela não é válida. Significa que precisamos ajustar o olhar.

Reconhecendo os sinais da síndrome do impostor em você

Antes de tentar mudar qualquer coisa, vale identificar se esse padrão realmente está presente no seu dia a dia. Alguns sinais comuns:

Se você se reconheceu em vários itens, não é motivo para pânico. É um convite para observar com mais carinho como você tem se enxergado na sua própria história profissional.

Desmontando mitos que mantêm a sensação de fraude

Existem algumas crenças que alimentam a síndrome do impostor. Vamos olhar para três delas, com uma lente mais prática.

Mito 1: “Se eu fosse realmente boa, não teria dúvidas.”

Na realidade, pessoas competentes duvidam, questionam, pedem ajuda. Quem nunca erra ou nunca pergunta provavelmente não está se arriscando o suficiente para crescer.

Mito 2: “Se foi fácil, não teve mérito.”

Muitas vezes, algo é “fácil” para você justamente porque você teve anos de prática, estudo e tentativa-e-erro. O que parece simples hoje pode ter sido extremamente difícil há cinco anos.

Mito 3: “Todo mundo sabe mais do que eu.”

Você enxerga o bastidor da sua própria vida, mas só vê o palco dos outros. É uma comparação injusta. Além disso, sempre haverá alguém que sabe mais e alguém que sabe menos. Isso não invalida o que você já sabe.

Estrategias práticas para acolher suas inseguranças profissionais

A ideia aqui não é “virar uma pessoa superconfiante” do dia para a noite, mas criar pequenas práticas que, repetidas ao longo do tempo, vão mudando seu relacionamento com esse sentimento de ser impostora.

Prática 1: Nomear a voz crítica

Quando aquele pensamento surgir – “Você não é boa o suficiente”, “Vão te desmascarar” – em vez de tomar isso como verdade absoluta, tente observar:

Esse pequeno espaço entre o pensamento e a ação já muda muita coisa. Você não cala a voz crítica, mas deixa de ser controlada por ela.

Prática 2: Diário de evidências (não de emoções)

As emoções são importantes, mas, na síndrome do impostor, elas muitas vezes distorcem os fatos. Uma forma de equilibrar isso é manter um “diário de evidências”. Uma vez por semana, escreva:

Não precisa ser nada épico. Pode ser algo como “ajudei uma colega a entender um procedimento”, “organizei um fluxo de planilhas que estava caótico”, “falei com calma em uma reunião difícil”.

O objetivo não é inflar o ego, mas treinar o cérebro a reconhecer fatos, não só sensações.

Prática 3: Reescrever a narrativa do “foi sorte”

Da próxima vez que você pensar “foi só sorte”, pergunte-se:

Exemplo: você foi promovida. Em vez de “não sei como isso aconteceu”, você pode reconhecer:

Não é negar que fatores externos existem (oportunidades, contexto, apoio), mas integrar também o seu papel na história.

Prática 4: Falar sobre isso com pessoas seguras

O silêncio alimenta a sensação de ser a única “fraude” do ambiente. Quando você escolhe uma pessoa de confiança (amiga, colega, terapeuta, mentora) e fala sobre seus medos, duas coisas costumam acontecer:

Você não precisa se expor em público ou em reuniões enormes. Mas pode começar com uma conversa honesta com alguém que respeita e que conhece seu trabalho.

Prática 5: Uma “pasta de conquistas” acessível

Crie uma pasta digital chamada “Conquistas” (no e-mail, no drive, no celular) e vá salvando ali:

Nos dias de crise, em vez de se afundar no pensamento “não sei fazer nada direito”, abra essa pasta e relembre fatos concretos. Não é para viver de passado, mas para equilibrar a autocrítica com um pouco de memória justa.

Prática 6: Rituais simples antes de momentos desafiadores

Apresentações, reuniões com liderança, entrevistas… esses momentos são terreno fértil para a síndrome do impostor. Você pode criar pequenos rituais de preparação que te ancoram:

Esses rituais não eliminam o nervosismo, mas reduzem o impacto dele. Você sente medo, e mesmo assim age com cuidado e presença.

Prática 7: Redefinir a relação com o erro

Para quem vive com a síndrome do impostor, errar parece prova definitiva de incompetência. Mas, na vida profissional real, quem faz coisas novas vai errar em algum momento. O problema não é o erro em si, mas o que você faz com ele.

Na próxima vez que algo não sair como você esperava, pergunte:

Transformar erro em informação diminui o peso da culpa e aumenta a sensação de aprendizado. Isso é maturidade profissional, não fraqueza.

Cuidar da mente também é produtividade

A síndrome do impostor drena energia. Estar o tempo todo em modo “provar meu valor” é exaustivo. Cuidar minimamente da sua saúde mental é, também, uma estratégia de produtividade consciente.

Alguns ajustes possíveis, mesmo em rotinas apertadas:

Não é luxo. É combustível básico para continuar entregando bem sem se destruir por dentro.

Quando vale buscar ajuda profissional

Vale ficar atenta se, além da sensação de ser impostora, você percebe:

Nesses casos, procurar terapia pode ser um apoio importante. Não porque você é “fraca”, mas porque está carregando peso demais sozinha há muito tempo.

Um mini plano para os próximos 7 dias

Se você quiser transformar esse texto em ação, aqui vai uma sugestão simples para a próxima semana:

Para levar com você

A síndrome do impostor não é um defeito de caráter, nem um carimbo permanente. É um padrão de pensamento aprendido, que pode ser questionado, ajustado e suavizado com o tempo.

Você pode:

Talvez a mudança mais poderosa não seja virar “a pessoa super segura de si”, mas se tornar alguém que olha para a própria trajetória com mais honestidade e menos crueldade. Nem menos do que você é, nem mais. Apenas real.

Da próxima vez que aquela voz aparecer dizendo “vão descobrir que você é uma fraude”, tente responder, ainda que em pensamento: “O que eles vão descobrir é que eu sou humana. E, mesmo assim, tenho muito a contribuir”.

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