The White Stripes - Elephant

Ou Too Much filler not enough good songs

Para fazer uma crítica para ZeroZen não é preciso muito esforço, na verdade basta ler qualquer nota da tacanha imprensa nacional sobre determinado assunto e escrever exatamente o contrário. Por exemplo: se você for escrever sobre futebol, basta dizer tudo ao contrário do que o Juca Kfouri para que você tenha 99,9999% de chances de estar certo. Para escrever sobre cinema basta contrariar tudo que a Isabela Boscov diz. Já na música basta escrever tudo exatamente ao contrário do que o Lúcio Ribeiro que você sempre vai ser dar bem.

Para provar essa teoria resolvemos fazer uma experiência a partir de um texto do próprio Lúcio Ribeiro publicado na Pensata no dia 12/02. O texto em itálico é do Lúcio Ribeiro o texto normal é do Pedro Camacho:

WHITE STRIPES - FAIXA A FAIXA

1 - Seven Nation Army - O provável primeiro single. A ironia é que a música começa com um som de baixo, instrumento ausente no White Stripes. A voz de Jack é robotizada pelo vocoder. Cadência e barulho intercalados. Grande começo.

Começa com uma linha de baixo e logo descobrimos o porquê da banda não ter um baixista: a baterista Meg simplesmente é incapaz de se manter num ritmo por muito tempo.

2 - Black Math - Rock'n'roll à la Led Zeppelin dos bons tempos. Até entrar Dead Kennedys. E voltar ao Led Zeppelin.

O coitado nunca ouviu Dead Kennedys ou Led Zeppelin pensando bem. Soa como qualquer coisa que o White Stripes já tenham gravado antes, só que pior.

3 - There's No Home for You Here - Ópera blues, diferente de tudo o que o White Stripes já fez. É a "Bohemian Rapsody" da banda. A guitarra é cópia de "Dead Leaves and the Dirty Ground", hit do CD anterior. Triunfal.

Ópera blues? Começa com o refrão e depois a melodia muda para a letra, alguém falou em Beatles aí? OU melhor em John Lennon? Sim a guitarra é igual a "Dead Leaves and the Dirty Ground", mas isso não tem nada de triunfal. Tá mais para falta de originalidade ou de idéias mesmo. Outra coisa como pode ser diferente de tudo que os White Stripes já gravou se a guitarra é 'cópia' de "Dead Leaves and the Dirty Ground"?

4 - I Just Don't Know What to Do with Myself - A melhor do disco. Cover de Burt Bacharach. Vai calminha, linda, até estourar em um Nirvana descontrolado.

Cover anódino e dispensável, vai ouvir a versão do Isaac Hayes meu filho.

5 - Cold Cold Night - Meg canta e transforma o White Stripes em banda de jazz. Simpática.

Jazz? Onde? Quando? Como?

6 - I Want to Be the Boy - Pianinho singelo, voz sincera, guitarra controlada e as batidinhas amadoras de Meg. Perfeita.

Primeira faixa passável. O problema é que você já ouviu isso antes no Cd anterior e antes disso também. Redundância não parece ser um problema para dupla.

7 - You've Got Her in Your Pocket - Acústico White Stripes.

O começo lembra Neil Young. O resto são 3 minutos e 41 segundos mais tediosos que a banda já gravou.

8 - Ball and Biscuit - Blues rasgado, feito em uma encruzilhada.

Só que seja na encruzilha do caminho para mediocridade com a estrada para o esquecimento... Se não bastasse a faixa tem mais de 7 minutos.

9 - The Hardest Button to Button - Jack engrossa com baixo esse punk pop para acompanhar com o pé. Um WS diferente.

Outra faixa com baixo. Pelo visto Jack levou os Redd Stripes bem mais a sério do que deveria...

10 - Little Acorns - Começa com discurso gospel. Depois Jack emula Kurt Cobain de novo.

Discurso gospel? É uma vinheta com um papo furado sobre um esquilo. Kurt Cobain não passou por aqui nem em pensamento. E se passasse não adiantaria grande coisa.

11 - Hypnotize - Curta, direta. O velho punk blues do WS.

Nada que se diga: meu deus que maravilha. Mais para... Oh! Meu Deus a mesma merda de novo....

12 - The Air Near My Fingers - White Stripes vai até os Beatles.

Beatles? O riff principal é chupado de Wild Thing dos The Troogs!!!! Onde diabos esse cara viu Beatles aqui?

13 - Girl, You Have No Faith in Medicine - Punk sujo, como se feito para Iggy Pop cantar.

Única faixa que quase, eu disse quase, se salvou de ir para lixeira. Nada a haver com Iggy Pop, só que seja o Iggy Pop anos 80 fase Instinct. O riff de duas notas soa como algo que você já ouviu antes. Mas é claro que uma banda 'original' como os White Stripes nunca copiariam ninguém...

14 - It's True That We Love One Another - Divertida e irônica balada sobre o amor. Jack, Meg e uma amiga dividem o vocal.

Os americanos tem um termo perfeito para esse tipo de faixa: filler. Pura enrolação, encheção de lingüiça. Tipo de piada interna que até mesmo as bandas gaúchas estão descobrindo que não leva a lugar algum, com exceção é claro da Bidê ou Balde.

Conclusões finais:
Simples e direto: esse álbum é inferior ao anterior. Se White Blood Cells não valia uma mídia esse não vale o espaço que o ocupa no seu HD.

Pedro Camacho