Kiss - Psycho Circus Tour

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Kiss - Psycho Circus, Jockey Club, Porto Alegre quinta-feira 15 de abril

O show do kiss em Porto Alegre pode ser visto a partir de várias interpretações, começando com as mais óbvias como: um bando de caras de meia-idade usando maquiagem, tentando se convencer que ainda são o maior espetáculo da terra; ou mais um exemplo típico da necessidade de implantação no mundo do rock de um programa aposentadoria voluntária; ou ainda, apesar de tudo, como um bom show de rock'n'roll...

Nunca em sua longa carreira, no bom sentido, o uso de maquiagem pelos membros da banda fez tanto sentido, além de esconder as marcas do tempo— o guitarrista Ace Frehley está tão fora de forma que parece ter saiu fugido de uma clínica de reabilitação para alcoólatras direto para o show— serve para fazer um exercício de metalinguagem com o nome do show: Psycho Circus. No caso acredito que eles eram os palhaços na história, mas não tenho certeza.

Essa é a terceira vez que o Kiss vem ao Brasil e a primeira com sua formação original, e também a primeira vez que eles vem a capital gaúcha. O público gaúcho aparentemente não estava preparado para um show como esse, muita gente ficou confusa com dois focos de visão completamente diferentes. Não sabiam se olhavam para o palco ou para o telão. Era gozado ver parte da platéia completamente apática olhando deslumbrada para o telão, pareciam até ter se esquecido estavam num show de rock.

O show de abertura ficou a cargo da banda alemã Rammstein, apontado por alguns desavisados como outro desses grupinhos que serão o futuro do rock, basicamente o som desses caras mistura o pior do Ministry com pitadas de heavy e techno, nada de novo ou de muito interessante. O baixista do Kiss Gene Simmons justificou a escolha dessa banda para abertura dos shows no Brasil por sua performance de palco, que inclui até um lança chamas— a banda tem uma fascinação não explicada pelo fogo— e uma insuspeita prótese peniana.

Depois das duas primeiras músicas o Rammstein disse ao que veio: espantar o público para a praça de alimentação para beber cerveja ao preço abusivo de dois reais. O Kiss deve ter comissão na venda de bebidas dentro do show, isso sim explicaria a escolha dos Rammstein para abertura do show.

Quem ficou não gostou muito do que viu, os caras até que são esforçados, cada música tem uma palhaçada qualquer diferente para entreter a audiência. Mas não isso adiantou muito, o publico gaúcho foi dispersivo e pouco receptivo e terminou o show entoando "tu gay, tu é gay que eu sei" para o vocalista Till, o cara já levava jeito, mas depois que ele simulou carcar o tecladista com um pênis de borracha foi realmente a gota d'água.

Então lá pelas 22h30 a clássica frase de abertura "do you wanted the best and you got the best: Kiss" anunciou o começo dos trabalhos daquela que ainda se intitula "the hottest band in the world". Hoje em dia isso pode ser entendido como propaganda enganosa, mas tudo bem.

O show começou com "Psycho Circus" do último álbum, mas a partir daí foi apenas hits dos anos 70 e início dos anos 80, felizmente nada da fase já sem mascara, outra tragédia típica da música dos anos 80. Mas em compensação não teve "I love it loud", maior hit da banda no Brasil, que é da segunda formação da banda já com Eric Carr na bateria, pois segundo consta a formação original não toca músicas das inúmeras outras formações que a banda teve ao longo de sua carreira. Segundo Gene Simmons por respeito, mas tem gente que acredita que é por incompetência ou esquecimento mesmo.

O show ia bem até Ace Frehley assumir os vocais para cantar "Shock me", cujo solo foi dedicado ao grande Stanley Kubrick. Bem vocês se lembram do Kiss alive II, certo? pois se essa música já não era muito legal naquela época imagina hoje em dia. Ace acabou perpetuando um dos momentos mais fracos do espetáculo, que foi salvo no final, quando ninguém já mais agüentava o longo solo do cara e de repente a guitarra de Ace simplesmente saiu voando para o espaço. Pena que não levou Ace junto.

Apesar dos integrantes da banda estarem bem velhos o show não teve pausas muito longas, foi bem corrido, com uma música atrás da outra, era só o tempo de tirar e colocar os óculos 3d outra vez e já estava a banda emendando outro sucesso. E estavam quase todos lá: I should it out loud, Deuce, King of the night time world, Firehouse, Calling Dr. Love, God Thunder, 100,000 years, I was made to loving you, Love gun, com direito a Paul Stanley voando pela platéia, teve até Beth com o baterista Peter Criss sozinho no palco. E para finalizar com chave de ouro: Detroit Rock City, Rock´n´roll all nite e Black Diamond.

Agora se o repertório esteve perto da perfeição e a banda até que mandou bem lá cima do palco, qual o problema com esse show? Simples: muito do que se esperava do show ficou só na promessa, a coisa toda teve gosto de comida requentada, era bom quando servida da primeira vez, mas agora perdeu a maioria dos atrativos. Olha que tirando os truques em 3d, que eram bem legais, esse show não tem nada de novo ou grandioso. Acho que o pessoal do Kiss anda subestimando a concorrência, pois até mesmo a turnê Popmart do U2, que não era lá essas coisas, merece muito mais o título de maior espetáculo da terra do que esse show meia boca que eles apresentaram em Psycho Circus.

Mas não me entendam mal foi um bom show, os truques podem estar meio manjados, mas a música dos caras ainda sobrevive ao tempo, e no final é isso é o que interessa. Certo?.

Além disso nós pagamos apenas 20 reais enquanto São Paulo morreu em 50. Só por isso esse show já teria valido a pena.

Saulo Gomes