Planeta Atlântida 2002

"Tudo sempre muito igual
Sempre mais do mesmo/
Não era isso que você queria ouvir?"
Legião Urbana

Por mais que se critique as bandas dos anos 80 é preciso admitir que existiam algumas preocupadas com um detalhe insignificante chamado integridade musical. Por exemplo, Legião Urbana e Camisa de Vênus jamais participaram de festivais de rock. Tinham público e cacife mais do que suficiente para isso. Só que a verdade é que este tipo de espetáculo deprimente transforma o rock em um circo mambembe. Ninguém presta atenção na música. Tudo o que importa é o lucro e a audiência.

O rock brazuca dos anos 90 se vendeu e, o que é pior muito barato. Pintou um festival lá vão os alternativos roqueiros ganhar mais um cachê. O Planeta Atlântida é a prova cabal deste tipo de atitude mercenária. É como diria o filósofo: se você não é parte da solução então é parte do problema. Mesmo assim a ZeroZen, a única revista que não acredita em festivais de rock, foi à luta novamente. Vale lembrar que antes mesmo da RBS a ZeroZen já colocava o Planeta na Internet.

1ª noite - 1º/2/2002

Palcão

Tihuana – Você acredita em gnomos? Se acreditasse faria uma música sobre gnomos? Pois o pessoal do Tihuana acredita e fez. Um caso sério de oligofrênia. Podem terminar na Casa dos Artistas 3 fazendo companhia para a Tiazinha.

Acústicos & Valvulados – Não dá para descrever com palavras como esses caras são ruins. Eles têm dez anos de estrada. Dez anos!!! E até hoje não saiu uma única música digna de nota, nem um riffzinho para contar história. Aliás, há muito tempo o momento mais importante dos Acústicos & Valvulados parece ser o Planeta Atlântida. O auge, o cerne, o pináculo, o fastígio de sua carreira parece ser realizar um show em um festival onde eles estão longe de serem considerados a atração principal. Na verdade, os Acústicos & Valvulados passam o ano inteiro fazendo shows para meia-dúzia de gatos pingados, com uma baixa execução nacional nas rádios, para ter seus 15 minutos de fama no Planeta. Mesmo assim eles continuam tentando. A platéia não dá a mínima, é claro. Como o sucesso não chega (e não deve chegar considerando a completa falta de carisma dos componentes da banda) eles se transformaram em uma espécie de funcionários públicos do rock gaúcho. Podem não ficarem ricos, mas pelo menos é melhor do que bater o cartão ponto todos os dias.

Ana Carolina – Ana Carolina é a representante em ascensão da MPBL ( música popular brasileira para lésbicas). Diga-se de passagem, uma das coisas mais relevantes de um festival como o Planeta Atlântida é que a sua serventia para desmascarar sucesso pré-fabricados como Ana Carolina. A cantora é uma espécie de sucessora de Cássia Eller, que se foi sem deixar saudade. Com o seu vozeirão grave e se usando de uma estética de bad girl, sua música insípida e inodora serve direitinho para agradar ouvidos femininos menos exigentes. O público gaúcho ignorou completamente Ana Carolina tanto que a cantora lascou uma das mais constrangedoras frases do Planeta de todos os tempos: - Pára de tomar cerveja e grita! Tudo para que o público cantasse junto com ela. É... rebeldia é isso aí. A platéia só saiu do marasmo na péssima Eu Nunca Te Amei, Idiota e no sucesso Quem de Nós Dois. Na verdade o coro mais forte do show de Ana Carolina foi na palavra idiota. Isto não deve ter sido coincidência....

Nenhum de Nós – O Nenhum de Nós é aquilo: Camila, Camila, tédio, tédio. Quanto mais a Sony terá de investir para perceber que torrou dinheiro apostando no Nenhum de Nós? A banda continua tão tediosa quanto na época de Camila, Camila. Alguém tem de avisar ao Thedy Correa que ele não nasceu em Londres. Aliás, o nome do show que o grupo fez no Planeta poderia se chamar Fracassos Reais, Sucessos Imaginários.

Daniela Mercury – Essa cantora (sic) está cada vez mais perdida, recebeu uma recepção fria da platéia. E isso é raro em termos de Planeta, um festival onde se aplaude até anuncio de desaparecido no sistema de som. O desatino de Daniela é terminal, mas também o que se pode esperar de alguém que este tanto em contato com uma entidade do mal? Pode ser considerada a musa-do-planeta-com-alguns-quilos-a-mais-em-lugares-indesejados.

Titãs – Os Titãs é tipo de grupo que pede um acidente de avião. De outro jeito eles vão continuar soltos por aí gravando discos juntos, solos ou separados. Esses caras deviam ser proibidos de gravar pelo resto da vida. Alguém precisa para essa insanidade. Os Titãs fizeram um show burocrático, longo e arrastado. Para piorar alguns integrantes aproveitaram a apatia geral para enjambrar algumas músicas de suas carreiras solo. Deprimente.

Comunidade Nin-Jitsu – Esse pessoal pensa que ZeroZen é uma publicação conservadora (hahaha). O guitarrista Fred mandou e-mail para nossa redação nos comparando com o Siro Darlan do Rio de Janeiro. Patético. Nada disso muda o fato que a música do pessoal da Comunidade é tão radical e inovador quanto mijar para frente. Exemplo típico de sucesso local e mal localizado, vão continuar pagando mico no Patrola e fazendo show lotado em cidadezinha de 10 mil habitantes. Até que um dia acabem tendo que procurar um emprego de verdade.

Raimundos – O Raimundos sem Rodolfo é como o Camisa de Vênus sem Marcelo nova: uma bela duma merda. Não que fosse grande coisa antes...

2ª noite - 2/2/2002

Palcão

Ultramen – A ZeroZen cometeu uma injustiça com o Ultramen, eles não são parecidos com o Rappa. Mas que gostariam de ser cariocas ah! Isso sim. 

Frejat – Frejah para casa. Se já sabiam da ruindade desse cara – comprovada por todos no show de abertura da turnê do Eric Clapton – por que o convite? De onde menos se espera daí mesmo que não sai nada...

Supla – O show Supla, o namorado virtual da Barbara Paz, foi uma espécie de antevisão do mundo bizarro. O cara continua e sempre foi uma tremenda fraude. Supla não tem repertório — cadê as trocentas músicas que ele compôs com o Frota? — parece um boneco de mola no palco fazendo pose de malvado. Mas depois da Casa dos Artistas é melhor mudar de estratégia, essa não cola mais. Heresia maior: tocar "Jailhouse Rock" em ritmo de bossa nova.

Skank – O show mais longo do festival. Com aquela paciência mineira Skank desfilou de maneira profissional e tediosa seus sucessos. A banda se comportou como se estivesse jogando um amistoso contra um time da segunda divisão: com desinteresse e sem amor a camisa.

Jorge Ben Jor – A Grande volta de Jorge Ben Jor aos palcos foi recebida com frieza pela platéia do Planeta. Para tentar esquentar o público Ben Jor teve que em determinado momento trazer Luana Piovani, Fernanda Lima e a gorda escrota do Patrola. As duas primeiras se entende, mas...

O Rappa – O Rappa é deve ser a pior banda ao vivo do planeta. É como alguém muito bem observou uma vez: não é som que está ruim é que a música é assim mesmo. E pensar que esse caras tiveram coragem de lançar um álbum ao vivo. Na segunda-feira o Rappa se apresentou de graça no Fórum Social Mundial depois de entreter os fetos da burguesia agora era hora de mudar de discurso. Patético...

Capital Inicial – Flash Back do ano passado, mesmo show só faltou o Kiko Zambianchi bêbado para fechar a conta. Mas também esperar o que desses fugitivos dos anos 80, novo repertório? Fala Sério.

Tequila Baby+Marky Ramone – Triste, triste mesmo. Marky Ramone chegou no fim do poço. Num mês o cara está em Nova York recebendo das mãos do Bono o prêmio pelo conjunto da obra no MTV Music Awards e noutro está em Atlântida tocando com o Tequila Baby. Triste, mas verdadeiro. Ainda bem que Joey Ramone não é vivo para ver isso.

Da reportagem local